Ilustração de Kin Noise.

Após a Anvisa ser alvo de ataques de Ricardo Barros, líder do governo na Câmara e cotado para suceder Pazuello no ministério da Saúde, o diretor-presidente da agência, contra-almirante Antonio Barra Torres, apareceu à direita de Bolsonaro na live vermino-presidencial da última quinta-feira. À esquerda do verme, uma lata de leite condensado.

Barros estava de máscara e disse, ao lado de Bolsonaro, que iria se vacinar. Foi o suficiente para mais um espetáculo, na imprensa, da “mandettização” de um membro do governo Bolsonaro. Neste caso – e rapidamente nos esquecemos – mais um militar nomeado em novembro do ano passado como cristalino interventor do negacionismo na Anvisa. Mas, como Barra Torres meteu uma máscara na cara – como Mandetta vestiu um colete do SUS – foi o suficiente para ser alçado a “melhor convidado das lives de Bolsonaro até hoje”.

As definições de “patético” foram atualizadas.

E porque Bolsonaro não devorou Barra Torres ali mesmo, na live, no momento em que o contra-almirante convidou o presente para ir tomar vacina, uma miríade de comentaristas de política começou a tentar decifrar aquele “enigma”, a especular sobre “um sinal de mudança de postura de Bolsonaro em relação à vacinação”, como se fosse o verme ardiloso a esfinge de Tebas.

E como se, de resto, não estivéssemos há tempos sendo devorados, este país. De forma que as definições de “patético” foram atualizadas novamente.