Sergio Moro (Foto: Lula Marques).

O escritório de advocacia Gibson, Dunn & Crutcher, de Los Angeles, Califórnia, é um dos que mais atuam, e portanto dos que mais faturam, na esfera da estadunidense Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês), à qual o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) dedica uma das suas mais importantes unidades de investigação.

A peso de ouro, cerca de R$ 40 milhões, a Petrobras contratou em 2014 o escritório Gibson, Dunn & Crutcher para apurar as denúncias da Lava Jato na companhia, a fim de ficar “em linha com as diretrizes do Departamento de Justiça Americano e da Securities Exchange Commission (SEC)”.

Em 2015, na moita, Deltan Dallagnol começou a negociar com a unidade FCPA do DoJ a devolução de parte da multa bilionária aplicada à Petrobras nos EUA. De um total de US$ 853 milhões devolvidos, R$ 2,5 bilhões, convertidos, foram parar numa conta da 13ª Vara a título de dízimo para que o Inquisidor Geral de Curitiba e os inquisidores assistentes do MPPR seguissem tocando o Santo Ofício da expiação.

Quando Dallagnol e DoJ abriram aquelas nebulosa$ tratativa$, quem chefiava a unidade FCPA em Washington DC era este sorridente rapaz da foto abaixo, Patrick F. Stokes.

Patrick Stokes.

Naquele ano de 2015 de Nosso Senhor, Stokes chefiava as investigações contra a Petrobras nos EUA. No ano seguinte, em 2016, Stokes jumped the counter, pulou o balcão, e passou a atender como sócio de uma importante firma de advocacia de Los Angeles, Califórnia. Ganha um trampo de sócio-diretor de Disputas e Investigações na Alvarez & Marsal quem adivinhar qual.

Por mais que tenha atuado dos dois lados do balcão e poucos como ele, digamos, merecessem, o nome de Patrick Stokes não aparece no acordo de leniência assinado pela Petrobras com o DoJ e a SEC.

O acordo foi assinado no fim de setembro de 2018, um mês antes da eleição de Jair Bolsonaro, e coube a outro fera do escritório de advocacia Gibson, Dunn & Crutcher assinar como advogado da firma a serviço da Petrobras: F. Joseph Warin, que um ano antes, em 2017, havia sido apelidado de “Titã em FCPA” pela Chambers and Partners, entidade que elabora rankings internacionais de advogados e escritórios de advocacia.

No próximo dia 25 de março, uma quinta-feira, um certo sócio-diretor da Alvarez & Marsal tem um compromisso com o senhor F. Joseph Warin na 15ª edição de um convescote internacional chamado “Fraude, Rastreamento e Recuperação de Ativos”. O juiz-em-chefe da Lava Jato e o titã da Gibson, Dunn & Crutcher vão pontificar sobre “tendências anticorrupção”.

Na mais gritante tendência da indústria, por assim dizer, até a notária pública do distrito de Colúmbia que atestou o acordo da Petrobras com o DoJ parece que foi parar na Gibson, Dunn & Crutcher. Para esta festa, porém, ninguém convidou, ainda, Deltan Martinazzo Dallagnol, e olha que ele foi o coordenador da Operation Car Wash, não um notário. Mas vai ver que, de tanto fazer jejum, comeu o “n” mesmo assim.

4 respostas em “Sergio Moro e a mais gritante ‘tendência anticorrupção’”

  1. PROS INOCENTINHOS DA PARÓQUIA AÍ ESTÁ NO QUE VALE CRER NUMA FRAUDE AMBULANTE QUE EU SEMPRE CHAMEI DE “MORA ENCANTADA DA REDE G-ROUBO”. PSRECE QUE ESTIVE CERO O TEMPO TODO.

  2. Parabéns, esclarecimentos como esses são indispensáveis para se conhecer as entranhas mal cheirosas que pontificaram a trama sinistra perpetrada contra a Petrobrás e o protagonismo da Lava Jato.

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