Depois de tirar das eleições 2018 o então líder nas pesquisas para a presidência da República, Sergio Moro foi ser ministro da Justiça do governo que desta forma ajudou decisivamente a eleger. Divorciado o bolsonarismo do lavajatismo, o ex-juiz agora vai compor o quadro de sócios-diretores da empresa ianque de consultoria que forneceu prova da inocência do candidato que ele limou da disputa presidencial, uma das tantas provas que Moro ignorou.

Vale tudo ou não vale?

Após passar anos como presiding judge de um calendário eleitoral não registrado no TSE, com direito a gravar e passar pra mídia um telefonema de uma presidenta da República, a fim de interferir em composição ministerial; depois de ajudar, sempre de maneira decisiva, a arruinar política e economicamente um país de dimensões continentais, Moro anuncia que vai embora para Washington DC, para a matriz. E Rosângela Moro diz à imprensa que “agora a gente pode, finalmente, ter a nossa vida”.

Vale tudo ou não vale?

Vale, “Vale Tudo”: a célebre novela de Gilberto Braga – que foi, antes de tudo mais, uma novela sobre caráter e sobre a falta dele – terminou com o famigerado Sergio Fernando e sua conja Rosângela, desculpe, o canalha Marco Aurélio e sua conja Leila (que matou Odete Roitman) pirulitando-se do país, e é quando Marco Aurélio, da cabine de um jatinho, dá uma banana para o Brasil, numa das mais famosas cenas da teledramaturgia brasileira, se não a mais.

A música tema de Vale Tudo? “Brasil”, de Cazuza, na voz de Gal Costa. A música, por sua vez, termina assim: “Brasil, qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim”.

Três décadas depois, a resposta: o nome do sócio, do sócio-diretor da Alvarez & Marsal e da destruição do Brasil, é Sergio Fernando Moro.

(E Deltan Dallagnol, a esta altura, retirado da Lava Jato e vendo florescer a carreira de vossa excelência na iniciativa privada, deve estar se perguntando: “não me subornaram. Será que é meu fim?”)

E o Marco Aurélio de “Vale Tudo”, além do nome composto, tinha sobrenome também: Cantanhede. Marco Aurélio Cantanhede. Viu, Eliane? Ainda é sobre caráter e a falta dele.

Não se sabe ainda quando Moro, Rosângela e prole embarcam de mala e cuia para o USA. Talvez ainda passem nesta várzea as festas de fim de ano, em família. O último capítulo de “Vale Tudo”, o da banana, foi ao ar no dia 6 de janeiro de 1989. Putz, seria lindo, divino, maravilhoso um desfecho com mais esta “apenas uma coincidência” na história recente do Brasil…

E quem matou Odete Roitman? Ora, a conja.

O conje matou o Brasil.

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