Marcelo Queiroga (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil).

Quando anunciado pelo Pequi Roído como novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga foi apresentado pela imprensa ora como doutor – médico com doutorado -, ora como doutorando em Bioética pela Universidade do Porto, no além-mar, que é afinal o que consta, doutorando, em seu currículo Lattes.

Nem como doutor, nem como doutorando aparece o nome de Marcelo Antonio Cartaxo Queiroga Lopes no site do doutorado oferecido no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a Universidade do Porto.

Lá, Marcelo Queiroga aparece na lista dos alunos do programa doutoral em Bioética 2010/2011; não aparece, um decênio depois de admitido, na lista de autores de teses defendidas; mas surge na lista publicada no site de “especialistas em Bioética”.

Mui bio, super ético, especialista mesmo na coisa, Marcelo Queiroga, a crer em Lauro Jardim, planeja visitar hospitais Brasil afora para dar um confere se quem morre de covid-19 morre mesmo de covid, ou se estão de sacanagem, numa auditoria macabra bem na linha do baralhamento de tudo promovido diuturnamente por Jair Bolsonaro. Até dos mortos, campeão da necropolítica que Bolsonaro é.

Mui bio, super ético, o até anteontem presidente do Conselho Federal de Cardiologia defendeu, quando anunciado para o ministério fascista da Doença, exata e precisamente o que defende o ge-no-ci-da sobre cloroquínicas questões, ou seja, que os médicos tenham autonomia para prescreverem o que acharem por bem contra a covid-19. Cloroquina e ivermectina, por exemplo. Licor de pequi, quem sabe.

Foto: reprodução/YouTube.

Os especialistas

Um dos coordenadores do Programa Doutoral em Bioética do Conselho Federal de Medicina/Universidade do Porto publicou no início de fevereiro um artigo emitindo opinião – “inclusive como membro [tesoureiro] do Conselho Federal de Medicina” – de que a autonomia de cada médico para receitar cloroquina e ivermectina contra a covid-19 “deve ser exercida em sua plenitude, sem cerceamento”, porque “não há comprovações científicas a favor ou contra essas drogas”.

No início de fevereiro do ano corrente de 2021, desde antes, já havia comprovações científicas amplamente difundidas de que o “kit-covid” de nada adianta contra a covid-19 e, além disso – e além de ser apresentado pelo desgoverno como alternativa ao confinamento -, já havia indicações de que a ivermectina como “tratamento precoce”, por exemplo, pode afetar gravemente o fígado.

Na última sexta-feira, 19, uma reportagem do Intercept Brasil mostrou que a “cúpula do CFM é peça-chave da tragédia que nos levou a 290 mil mortos por covid-19”. Dos 11 membros da atual diretoria do CFM, quatro passaram pelo doutorado da casa. Dois deles também não defenderam tese, também mais de 10 anos depois de admitidos, mas especializaram-se, em Bioética, sim senhora, sim senhor, a exemplo do auditor de cadáveres.