Ministro marcial da Saúde, Eduardo Pazuello (Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados).

No dia 1º de dezembro, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse, sem se referir à vacina da Pfizer, que vacinas dependentes de armazenamento e transporte sob temperaturas muito baixas não estavam nos planos no governo federal, por “limitações logísticas do país”.

A vacina da Pfizer precisa ser armazenada e transportada sob temperatura de -70 graus.

Antes, na primeira quinzena de novembro, a Pfizer deu ao governo brasileiro a opção de armazenagem em gelo seco, o que exigiria, porém, “logística muito precisa”. Semanas depois, em 1º de dezembro, o secretário de Vigilância em Saúde ainda falava em “limitações logísticas do país” para receber vacinas que exigem armazenamento e transporte sob temperaturas muito baixas. Outra opção seriam os ultracongeladores de universidades, mas eles inexistem no Programa Nacional de Imunização.

Dezesseis dias mais tarde, nesta quinta-feira, 17, dominam o noticiário as previsões do ministro Eduardo Pazuello sobre números de doses de vacinas contra a covid-19 a serem disponibilizadas no Brasil: “Pazuello prevê 24,5 milhões de vacinas até janeiro”, “Pazuello prevê 93 milhões de vacinas até março”, e por aí vai.

Em todas as contas de Pazuello estão computadas vacinas da Pfizer. Para janeiro, por exemplo, Pazuello diz contar com meio milhão de doses da Pfizer.

O próprio “Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19”, apresentado na véspera das previsões de Pazuello, portanto nesta quarta-feira, 16, considera que “do ponto de vista de transporte e armazenamento, estas vacinas [Moderna e Pfizer] requerem temperaturas muito baixas para conservação (-70º C no caso da vacina candidata da Pfizer e -20º C no caso da vacina candidata da Moderna), o que pode ser um obstáculo operacional para a vacinação em massa, especialmente em países de renda baixa e média”.

Na página 34 do “Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19”, consta que:

“A logística é operacionalizada por meio de uma empresa terceirizada (VTC-LOG)
que presta os serviços de armazenagem e transporte dos Insumos Estratégicos em
Saúde (IES) do Ministério da Saúde. Esta realiza a entrega dos imunobiológicos nas
centrais estaduais de rede de frio das 27 UF”.

Desde agosto de 2019 é a empresa Afriotherm que fornece à VTC-LOG “sistemas de climatização para galpão de armazenagem”. O site da Afriotherm informa que esses sistemas consistem em “splits de alta capacidade” e “oito câmaras frias e de congelamento até -34 graus”. Na página da Afriotherm no Facebook, pode-se verificar que “a Afriotherm tem muito orgulho de atuar em parceria com a VTC-LOG de Guarulhos-SP, que é a responsável pelo armazenamento refrigerado do Ministério da Saúde”.

“Nestes armazéns ficam remédios importantes, vacinas e agora tudo relacionado ao covid-19”:

Nestes armazéns em Guarulhos, em demonstração de “alta precisão logística” – só que não -, lotes inteiros de testes RT-PCR para detectar covid-19 ficaram mofando até às vésperas de perderem a validade, em escândalo do fim de novembro.

O escândalo desta quinta é: o general Pazuello mente no computo das vacinas que “prevê” para janeiro a março no Brasil. Mente, descaradamente.

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