Eleitor de Haddad nas eleições 2018; ex-candidato a vice-prefeito do Recife em chapa encabeçada pelo PT; filho de um ex-deputado federal que se bateu no Congresso contra o impeachment de Dilma Rousseff e que tentou se eleger para o Senado com o slogan “o senador de Lula”.

Ah, sim: Silvio Costa Filho é também o relator do projeto de “autonomia” do Banco Central do Brasil que vai a voto nesta quarta-feira, 10, na Câmara dos Deputados. O “desafio”, como está na moda dizer, foi a ele confiado na última quinta-feira, 4, pelo novo presidente da Câmara, Arthur Lira. Três dias dias depois, no último domingo, 7, Silvio Costa Filho disse que já tinha apresentado o relatório favorável à demanda não resolvida do neoliberalismo que Fernando Henrique Cardoso deixou sobre a mesa no 3º andar do Palácio do Planalto.

Ao longo de 13 anos, Lula e Dilma cozinharam os vendilhões do país, ou foram cozinhados por eles, com uma “autonomia na prática” do Bacen. Agora, neste adiantado da Grande Marcha Para Trás, alguém tratou de pegar o papel, soprar a poeira e mostrá-lo bem de pertinho ao fascismo, dizendo algo assim como o slogan do Itaú: “feito para você”.

Trinta anos, portanto, em três dias. Puxa vida. O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney – ele próprio, que surpresa, um ex-diretor do Banco Central – não se coube no cofre e cumprimentou publicamente o deputado Silvio Costa Filho pela “presteza” no trabalho.

Executivo, Legislativo, Judiciário e, em breve, Febraban. No meio do pesadelo da covid-19, da falta de vacina e de oxigênio, eis que de repente, súbito, o pesadelo de Montesquieu.

A Febraban, também ela, vai passando sua boiada.

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