João Dória (Foto: Governo do Estado de São Paulo);

O governador de São Paulo, João Dória, anunciou nesta segunda-feira, 1º, a criação de uma Comissão Médica da Educação que, segundo Dória, terá voz na decisão “sobre interromper temporariamente as atividades de ensino em um determinado local e o momento para retorná-las”.

Os integrantes da comissão serão Luciana Becker, infecto-pediatra no Hospital Albert Einstein, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Menino Jesus e integrante do Ciência pela Escola; José Medina, diretor do Hospital do Rim e membro do comitê do Centro de Contingência do Covid-19; Helena Sato, pediatra e coordenadora do Plano de Imunização Estadual da Secretaria de Saúde do Estado; Wanderson Oliveira, doutor em epidemiologia e secretário de Serviços Integrados de Saúde do Supremo Tribunal Federal; e Marco Aurélio Sáfadi, pediatra e infectologista, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Apuração de Come Ananás constatou que a maioria dos integrantes da comissão se manifestou publicamente nos últimos meses a favor da volta às aulas presenciais.

Pelo menos um deles tomou partido um tanto apaixonadamente. Marco Aurélio Sáfadi, por exemplo, classificou de “hipócrita e equivocada” a decisão tomada na última quinta-feira, 27, pela juíza Simone Gomes Casoretti, que suspendeu o retorno às aulas presenciais nas escolas de São Paulo citando precisamente o risco representado pelas novas variantes e lembrando que, sim, a educação é um direito fundamental, mas prevalece o direito à vida.

O governo Dória recorreu e a decisão da juíza Casoretti foi revertida em instância superior. A volta às aulas em escolas particulares de São Paulo está marcada para a próxima segunda-feira, 8. A Secretaria de Educação do estado já elencou como argumento para abrir escolas na pandemia o motivo de “diminuir o risco de gravidez na adolescência”…

São Paulo vai abrir escolas no pior momento da pandemia no Brasil, com pessoas agonizando sem oxigênio hospitalar, uma nova e inexplorada cepa descendo o país desde o Amazonas e quando uma capital estadual, Fortaleza, já registra caso de criança na primeira infância intubada em UPA esperando vaga na UTI pediátrica lotada do hospital Albert Sabin, por mais que o número de leitos de UTI para crianças do hospital tenha sido triplicado no intervalo de um mês. O Ceará, atualmente, tem 55 casos de covid-19 suspeitos de contaminação pela variante amazônica, de maior potencial patogênico e de transmissão.

Ligue os pontos e vamos lá, vamos abrir as escolas do país; vamos perder o último dos pudores; lúdicos, vamos jogar no recreio o jogo da roleta russa; vamos testar no pátio se em criança realmente não pega a única bala no tambor.