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Quem tem menos de 65 anos, caiu doente e se recuperou de um quadro de covid-19 fica com cerca de 80% de anticorpos por pelo menos seis meses. Quando se trata de recuperados com mais de 65 anos, o índice de anticorpos para o novo coronavírus cai drasticamente, para cerca de 47% de proteção.

É o que apontou um estudo feito na Dinamarca e publicado nesta terça-feira, 17, na revista médica The Lancet. Dois terços dos dinamarqueses, cerca de 3,8 milhões de pessoas, fizeram teste PCR para covid-19 em 2020. Graças a esse amplo programa de testagem no país, os pesquisadores tiveram condições de rastrear com precisão a proporção de pessoas que testaram positivo na primeira onda, entre março e maio, e foram infectadas novamente na segunda onda, de setembro a dezembro. Foram rastreadas também as segundas infecções em qualquer momento durante a pandemia.

“Nosso estudo confirma o que vários outros pareciam sugerir: a reinfecção com Covid-19 é rara em pessoas mais jovens e saudáveis, mas os idosos correm maior risco de pegá-la novamente”, disse Steen Ethelberg, do Statens Serum Institut na Dinamarca, ao jornal britânico The Guardian.

Comentando o estudo na Lancet, dois professores do Imperial College de Londres, Rosemary Boyton e Daniel Altmann, consideraram que “apenas 80% de proteção contra reinfecção em geral, diminuindo para 47% em pessoas com 65 anos ou mais, são números mais preocupantes do que os oferecidos por estudos anteriores. Todos esses dados são a confirmação, se necessário, de que para o Sars-CoV-2 a esperança de imunidade protetora por meio de infecções naturais pode não estar ao nosso alcance e um programa global de vacinação com vacinas de alta eficácia é a solução duradoura”.

E ainda não foi este estudo que abarcou as novas cepas, como alertam os autores:

“Novas variantes do SARS-CoV-2 surgiram recentemente na Dinamarca, algumas conhecidas por serem mais transmissíveis do que o vírus original. Durante o período do estudo, tais variantes ainda não estavam estabelecidas no país. Em 2021, esse padrão está mudando, e são necessários estudos de coorte longitudinal aliados a estudos moleculares de vigilância para caracterizar os efeitos das variações do vírus em imunidade”.

O estudo publicado nesta terça na Lancet está disponível aqui, em inglês.