Cotadíssimo para em breve suceder Marco Aurélio Mello no egrégio Supremo Tribunal Federal, uma vez que se trata do “terrivelmente evangélico” preferido de Silas Malafaia e de Flavio Bolsonaro – o preferido do crente-fascismo, portanto -, William Douglas Resinente dos Santos acaba de ser promovido de juiz titular da 4ª Vara Federal de Niterói, no Rio de Janeiro, a desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

Além de magistrado do Poder Judiciário, William Douglas é oficial da reserva do Exército Brasileiro; pastor da Igreja Batista Getsemani; palestrante carimbado em meetings de empreendedorismo e cultos de adoração; coordenador de empreendedorismo de um projeto que pretende “transformar as cracolândias em Cristolândias”; autor do best-seller “As 25 leis bíblicas do sucesso” e coautor de um manual de “memorização para provas e concursos”.

Após ser eleito por aclamação pelo plenário do TRF-2 para ser o mais novo desembargador federal do Rio de Janeiro, William Douglas foi a Brasília conversar com o presidente do STJ, ministro Humberto Martins, “sobre assuntos seculares e espirituais”:

“Na qualidade de seguidores do Cristo, conversamos sobre a importância dos valores bíblicos. Eu o presenteei com a Bíblia de Estudos Fé e Trabalho e ele me mostrou as interessantes Bíblias de Estudo que tem no gabinete”, contou William Douglas numa rede social, em postagem intitulada “fé na Justiça, fé em Deus”, sem esclarecer se é mesmo nesta ordem.

A julgar por como o presidente do Supremo, Luiz Fux, encerrou seu discurso de abertura do ano judiciário, a ordem é esta:

“Tenho a certeza de que Deus cuidará de nós, porquanto o que guardamos nas mãos perdemos, mas tudo o que se entrega nas mãos de Deus possuiremos perenemente. Porque é Ele o verdadeiro depositário de nossos anseios por um Brasil deitado eternamente em berço esplêndido. Muito obrigado. Que Deus nos proteja”.

‘Levar as soluções do pastor para o juiz’

Em março do ano passado, num “Café de Pastores” do Conselho dos Ministros Evangélicos do Estado do Rio de Janeiro (Comerj), o possível futuro ministro “terrivelmente evangélico” do STF posou sorridente para o fotógrafo que registrou, digamos, o mistério de uma nada santíssima trindade: ele, William Douglas, Malafaia e o procurador Guilherme Schelb, que ganhou notoriedade quando afirmou que o “Guia Escolar de 2011 da presidente Dilma contempla o princípio da pedofilia”. Mais tarde, Schelb chegou a ser cogitado para assumir o MEC do governo adivinha de quem.

Em 2015, William Douglas escreveu a quatro mãos com o pastor Fabrini Viguier, da Igreja Plena de Icaraí, em Niterói, um artigo intitulado “O que um Juiz pode ensinar a um Pastor”, no qual a dupla ensina também o que um pastor pode ensinar a um juiz:

“Levar as soluções do pastor para o juiz funcionará sempre que o magistrado também acreditar na intervenção divina e na missão que todos os cristãos têm no mundo, em especial em suas atividades profissionais”.

Um crasso exemplo viria cinco anos depois, não na Plena de Icaraí, mas em plena pandemia. Em julho do ano passado, pregando na Assembleia de Madureira, no Rio, William Douglas em verdade, em balela vos disse:

“Isso podem pedir da gente. A máscara podem pedir, o distanciamento podem pedir, o álcool podem pedir, mas não queira fechar a igreja. E quando eu falo em fechar a igreja. O templo, que é onde nos reunimos, é um lugar protegido pelos Direitos Humanos e pela Constituição, é atividade essencial, não pode ser fechado por ninguém. Isso é um direito civil. Eu não estou falando de religião, eu estou falando de direito constitucional. Temos o direito de nos reunir, está na Constituição, e temos que conhecer os nossos direitos”.