Padre Julio Lancellotti removendo pedras antimendigos instaladas por Bruno Covas sob viadutos de São Paulo (Foto: reprodução/redes sociais).

Quem marcou o bonequinho estupefato em posts do Facebook sobre os pedregulhos antimendigos que Bruno Covas mandou pôr sob viadutos de São Paulo já esqueceu o ensinamento de madame Eliane Cantanhêde, o de que o PSDB é o partido das “massas cheirosas”, vulgo farialimers.

Moradores de rua? João Dória, parteiro de Bruno Covas, enxotava-os com jatos d’água, confiscava-lhes os cobertores e instalou telas em volta do Viaduto Doutor Plínio de Queirós, na Avenida 9 de Julho, no centro da capital paulista, para não dar na pinta o carrinho da madame miséria.

“O carrinho da madame Miséria” é o título de um livro infanto-juvenil escrito e desenhado em 2005 pela francesa Lise Mélinand e editado no Brasil pela extinta Cosac Naify. Madame Miséria, de dia, andava tropicando, mancando, levando consigo seu carrinho com despertador quebrado, uma galinha e rolos de esparadrapo. Quando caia a noite, dor nas costas, pés moídos, deitava em um banco da Praça das Baleias, bocejava e dormia.

Em 2005, a gestão de José Serra na prefeitura de São Paulo instalou na Praça da República bancos de pracinha com divisórias de barras de ferro, que era para não dar pra deitar, bocejar e dormir. Depois, em 2007, o governo Serra inaugurou aquela que ficou conhecida como a “rampa antimendigo”, irregular e com chapisco, na passagem subterrânea que liga as avenidas Paulista e Doutor Arnaldo.

O Padre Julio Lancellotti agora mais uma vez põe a cara na rua e à tapa, para arrancar às marretadas as pedras adicionais que Bruno Covas pôs no caminho de tantos e tantos deserdados de um teto e de tudo, coisa que o PSDB tanto e tanto ajudou a produzir em São Paulo e no Brasil. Há alguns anos, o padre Julio outorgou a José Serra o título de “pai do higienismo” em São Paulo.

Todos – Serra, Dória, Covas – são tributários, beijam a mão do doutor Eder Moreira Brambilla, o médico pediatra que em 1997, quando foi prefeito tucano de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, usava a PM sequestrar e “exportar” mendigos para outras cidades e estados. Na época, Brambilla bradou: “os desocupados invadem calçadas, ruas e praças. Não é justo que Corumbá se transforme em dormitório de mendigos e desocupados”.

Sobre o que é justo, e o que não é, o partido das “massas cheirosas” nunca entendeu muito bem. Ou nunca quis entender, passou álcool em gel nas mãos – o perfumado, naturalmente – e privatizou.

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