Antonio Luiz Macedo, è esquerda, e Jair Messias Bolsonaro (Foto: reprodução/Facebook).

No dia 6 de setembro de 2018 a médica cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar embarcou em um jatinho em São Paulo rumo às Minas Gerais, a serviço de Roberto Kalil Filho/hospital Sírio-Libanês, para examinar um paciente na Santa Casa de Juiz de Fora e disputá-lo com o Albert Einstein. Naquele dia, Ludhmila viu a facada, ou pelo menos o candidato, mas perdeu o paciente – para o Einstein. Mais tarde, ainda agorinha, quase ganhou um ministério.

Naquela luta de 2018 entre os povos do Levante, Ludhmila Hajjar, segundo o noticiário da época, teria se envolvido em uma discussão ríspida em Juiz de Fora com um dos mais importantes gastroenterologistas brasileiros, Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo, que estava em Minas também, por seu turno a serviço do hospital israelita, onde o setor que chefiava era conhecido como “Macedônia”. Chefiava, porque Macedo hoje é uma das estrelas da “bandeira” de hospitais Vila Nova… Star, da Rede D’Or.

Ludhmila Hajjar, a ex-Sírio-Libanês que recusou nesta segunda-feira, 15, render Pazuello no ministério da Saúde, é outra. Os hospitais Vila Nova Star, “de seis estrelas”, contratam médicos-eminências pagando salários de jogadores de futebol de primeira divisão – com direito a luvas sobre consultas e cirurgias.

Uma das cirurgias pós-facada feitas por Bolsonaro aconteceu no Vila Nova Star do Itaim Bibi, em São Paulo, em setembro de 2019. O hospital havia sido inaugurado apenas meses antes, em maio, mas já tinha, digamos, um time de galácticos. Bolsonaro mesmo foi operado pelo antagonista da doutora Hajjar em Juiz de Fora, o doutor Antonio Luiz Macedo, que tinha acabado de chegar.

A cirurgia de Bolsonaro chamou atenção da imprensa justamente para o assédio que vinha sendo feito pela rede Vila Nova Star a médicos renomados de outros hospitais do “segmento premium da saúde”, como Macedo, como a pessoa que Bolsonaro está buscando para substituir Eduardo Pazuello.

Em novembro do ano passado, o Antonio Luiz Macedo voltou ao noticiário após a circulação de um áudio sobre a pandemia em que dizia, como Bolsonaro, que “não somos cobaias para sermos testados com vacinas que têm aprovação de ninguém”, e que um colega “morreu testando a vacina”. Falso e falso.

Amigo e médico de confiança do maior inimigo da saúde pública nacional, Antonio Luiz Macedo já havia operado Bolsonaro outras duas vezes, ainda com o jaleco do Einstein. Uma delas foi em janeiro de 2019, quando Bolsonaro tinha acabado de tomar posse no cargo que inacreditavelmente ainda ocupa, quase 300 mil mortos depois.

Naquela ocasião, o doutor afirmou que se tratava de “uma cirurgia simples. Não estamos falando de câncer de pâncreas ou outro tipo”.

Hoje, menos de dois anos depois daquela operação no Star do Itaim Bibi, Antonio Luiz Macedo talvez já não possa mais pôr as coisas naqueles termos, diametralmente opostas, uma coisa ou outra, ou seja, cirurgia simples ou de câncer de pâncreas ou outro tipo.

É que no “segmento premium da saúde” a história é outra. É que há poucos dias, no fim de fevereiro, terminou bem sucedida a primeira cirurgia oncológica feita no Brasil com uma técnica relativamente nova que simplifica o tratamento de alguns tipos de câncer mais agressivos.

A cirurgia do fim de fevereiro foi em uma paciente com câncer de pâncreas, foi realizada no Vila Nova Star do Itaim Bibi, teve participação do doutor Macedo e o nome da técnica é NanoKnife.

Uma resposta em “Bolsonaro e o ‘segmento premium da saúde’: da facada à NanoKnife”

  1. A gente sempre desconfiou de que era um câncer, sempre desconfiou de que a facada era fake, mas eu não entendo como tanta gente envolvida estaria há tanto tempo sem abrir o bico. Pra mim é um grande mistério.

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