Foto: IOMA.

A província de Buenos Aires já começou a vacinar contra a covid-19 professores com risco maior de complicações se contraírem o coronavírus: os que têm doenças preexistentes, aqueles com mais de 60 anos e professoras grávidas. Eles são 16% dos professores da província. A expectativa é vacinar 70 professores por dia com a vacina russa Sputnik V.

A vacinação de professores está sendo feita muito significativamente no Hospital Gabriela Carriquiriborde, em Temperley, na Grande Buenos Aires. O hospital é operado pelo Instituto de Obra Médico Assistencial (IOMA), órgão público fundado em 1957 sob o princípio da equidade de acesso aos cuidados de saúde. Gabriela Carriquiriborde foi uma estudante de psicologia desaparecida pela ditadura argentina em 1976. Quando foi sequestrada pelos repressores para nunca mais ser vista, tinha 20 anos, estava grávida de seis meses e trabalhava IOMA.

No fim de novembro, quando no Brasil era preciso que o STF determinasse e desse prazo ao desgoverno Bolsonaro para a apresentação de um plano de vacinação, naquele momento, na Argentina, o presidente Alberto Fernández instalava a Comissão de Vacinação contra a covid-19 e determinava que os professores fossem incluídos nos grupos prioritários.

Há algumas semanas, no Brasil, Bolsonaro também determinou de sua cota pessoal, por assim dizer, uma categoria para ser incluída nos grupos prioritários: caminhoneiros.

Na Argentina, o retorno às escolas está previsto para março. Porém, o governo da cidade de Buenos Aires, do direitista Horacio Rodríguez Larreta, antecipou o retorno às escolas para o dia 17 de fevereiro. Buenos Aires têm os seus próprios ministérios da Saúde e da Educação, e a questão das aulas presenciais virou a pedra de toque dos embates entre a comunidade científica e o governo Fernández, de um lado, e a direita negacionista antiquarentena, de outro.

No Brasil, escolas públicas e particulares começam a ser reabertas nesta segunda-feira, 8, na maior parte do país com notícias de UTIs pediátricas lotadas em pelo menos duas capitais, Fortaleza e Campo Grande, e sem um único estudo sequer sobre o comportamento da variante brasileira do SarS-Cov-2; sobre sua transmissibilidade, mortalidade, incidência em grupos etários e capacidade de resistir aos anticorpos naturais ou vacinais.

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