Sara Osatinsky.

Além de Quino, o criador da Mafalda, e de Diego Armando Maradona, para muitos o próprio Criador, o povo argentino acaba de perder ainda outra imprescindível.

“Imprescindível” foi como o diário La Nueva Mañana classificou Sara Osatinsky, ao noticiar a morte desta que foi uma testemunha-chave na denúncia dos suplícios a que perseguidos políticos eram submetidos na Escola de Mecânica da Armada (Esma) durante a última ditadura na Argentina (1976-1983), dos sequestros de bebês pela ditadura e dos voos da morte.

Sara Solarz de Osatinsky morreu na Suíça, de embolia pulmonar, na última segunda-feira, 23, dois dias antes da morte de Maradona e menos de dois meses após a morte de Quino.

A militante revolucionária vivia na Suíça desde que ela e suas compatriotas Alicia Milia de Pirles e Ana María Martí deram aqueles que ficaram conhecidos como os “testemunhos de Paris”, que puseram internacionalmente a nu os horrores da ditadura de Videla, Massera e Agosti.

“Somos três mulheres argentinas, estamos entre os poucos sobreviventes de um campo de concentração militar em nosso país. Nós viemos do inferno”, disse Sara Osatinsky em outubro de 1979 diante da Assembleia Nacional Francesa.

Sara foi companheira do dirigente montonero Marcos Osatinsky, assassinado pela ditadura argentina em 1975.

Não está fácil para os argentinos, que perderam Quino, Sara Osatinsky e Diego Maradona, nesta ordem, em menos de dois meses.

Mas Quino, Osatinsky e Maradona concordariam, sem a menor sobra de dúvida, que os argentinos, mesmo chorando a morte deles três, estão melhores que os brasileiros. É que, no meio de uma pandemia mortífera, a Argentina tem governo, em vez de um desgoverno com pulsão de morte

É que a Argentina tem um presidente da República digno do cargo que ocupa, em vez de um verme.